{"id":1919,"date":"2013-02-08T07:21:39","date_gmt":"2013-02-08T07:21:39","guid":{"rendered":"http:\/\/sh118.global.temp.domains\/~igsgorg\/lusophonegoa\/?p=1919"},"modified":"2013-03-07T07:26:41","modified_gmt":"2013-03-07T07:26:41","slug":"the-goan-telo-de-mascarenhas-is-considered-one-of-the-most-important-portuguese-speaking-tagoreans-of-the-world","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/2013\/02\/the-goan-telo-de-mascarenhas-is-considered-one-of-the-most-important-portuguese-speaking-tagoreans-of-the-world\/","title":{"rendered":"O go\u00eas Telo de Mascarenhas \u00e9 considerado como um dos mais importantes Tagoreanos do Mundo Lus\u00f3fono"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a href=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jose_paz2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2110\" style=\"margin-left: 5px; margin-right: 66px;\" title=\"jose_paz\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jose_paz2.jpg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jose_paz2.jpg 540w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jose_paz2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/a><span style=\"color: #444444;\">Ademais de tagoreanos goeses muito importantes, como Adeodato Barreto, Prop\u00e9rcia Correia e Froilano de Melo, o Professor espanhol Paz Rodrigues considera, numa palestra proferida na LSG &#8211; Lusophone Society of Goa em Panjim, Goa, por muitos motivos, Telo de Mascarenhas, nascido em Mormug\u00e3o-Goa, como um dos tagoreanos lus\u00f3fonos mais importantes do mundo, compar\u00e1vel a qualquer outro tagoreano de outras nacionalidades e idiomas mundiais. Especialmente porque, como dominava o idioma bengali (Bangla), levou a cabo formosas tradu\u00e7\u00f5es ao portugu\u00eas de obras tagoreanas: &#8220;<\/span><em>A Casa e o Mundo (Ghore Baire)&#8221;, &#8220;O Naufr\u00e1gio (Noukadubi)&#8221;, &#8220;As quatro vozes (Choturongo)&#8221;<\/em><span style=\"color: #444444;\">\u00a0e uma antologia de contos com o t\u00edtulo gen\u00e9rico de &#8220;<\/span><em>A chave do enigma e outros contos&#8221;<\/em><span style=\"color: #444444;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>PERCEP\u00c7\u00c3O E INFLU\u00caNCIA DE TAGORE EM GOA (E RESTO DA LUSOFONIA)<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">por Prof. Jos\u00e9 PAZ RODRIGUES (Universidade de Vigo-Galiza-Espanha)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Palestra proferida na LSG &#8211; Lusophone Society of Goa (Sociedade Lus\u00f3fona de Goa)\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em><\/em><\/strong><strong><em>em Panjim, Goa, \u00cdndia, \u00a0<\/em><\/strong><strong><em>em 4 de Fevereiro de 2013<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O galego-portugu\u00eas \u00e9 o meu idioma materno, por isto com grande prazer, porque tamb\u00e9m sou um tagoreano, investiguei sobre a forma em como Robindronath Tagore, em todas as suas m\u00faltiplas facetas, foi acolhido nos pa\u00edses que t\u00eam como oficial a minha l\u00edngua. Que todos conhecemos como mundo da Lusofonia. O presente estudo, que n\u00e3o \u00e9 exaustivo, pois h\u00e1 ainda muito por investigar, \u00e9 o resultado das minhas pesquisas levadas a cabo nos \u00faltimos meses. Encontrei verdadeiras maravilhas sobre o tema e descobri temas tagoreanos do maior interesse, nomeadamente em Goa e no Brasil. A l\u00edngua portuguesa, conhecida como portugu\u00eas, \u00e9 uma l\u00edngua rom\u00e2nica flexiva, filha do latim, originada no galego-portugu\u00eas falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Esta l\u00edngua \u00e9 a mais antiga das latinas da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, come\u00e7ando a ser usada em documentos escritos l\u00e1 pelo s\u00e9culo IX. No s\u00e9culo XV chegou a ter uma literatura muito rica. Os portugueses com as suas descobertas a levaram por todo o mundo, de a\u00ed a sua presen\u00e7a em pa\u00edses de todos os continentes. Sendo oficial de uns dez pa\u00edses e bastante falada em outros territ\u00f3rios, como os indianos de Goa, Dam\u00e3o e Diu, e o chin\u00eas Macau. \u00c9 a oitava l\u00edngua mais falada do planeta e a terceira entre as l\u00ednguas ocidentais, ap\u00f3s o ingl\u00eas e o castelhano. Uns 273 milh\u00f5es de pessoas a utilizam a di\u00e1rio nos diferentes pa\u00edses que integram o que se denomina mundo da Lusofonia. No que dous grandes pa\u00edses emergentes, como o Brasil na Am\u00e9rica Latina e Angola na \u00c1frica, a t\u00eam como oficial. Ademais \u00e9 tamb\u00e9m oficial em muitos organismos internacionais, como a Uni\u00e3o Europeia, o Mercosul, a Unesco e a OUA. Em 1996 foi criada a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), que re\u00fane os pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa com o prop\u00f3sito de aumentar a coopera\u00e7\u00e3o e o interc\u00e2mbio cultural entre os pa\u00edses membros e uniformizar e difundir a l\u00edngua portuguesa nos quatro continentes nos que se fala e usa a di\u00e1rio.<\/p>\n<p>No presente estudo analiso como a grande figura de Robindronath Tagore, o \u201cLeonardo da Vinci do s\u00e9culo XX\u201d, foi acolhida em cinco pa\u00edses lus\u00f3fonos: Galiza, Goa, Portugal, Brasil e Angola. Onde houve numerosas tradu\u00e7\u00f5es das suas obras, a partir da consecu\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Nobel de Literatura em 1913. Onde foi muito apreciado por infinidade de escritores e muitos poetas e educadores. Analisando tamb\u00e9m a acolhida que teve em jornais e publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas e as homenagens organizadas arredor da sua figura para comemorar especialmente o centen\u00e1rio do seu nascimento em 1961 e em anos posteriores. No Brasil ainda hoje continuam a publicar-se em novas edi\u00e7\u00f5es as suas obras mais importantes, tendo um grande sucesso. Em menor medida, mas tamb\u00e9m, em Portugal.<\/p>\n<p><strong>A linda Terra de Goa :<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>O 17 de fevereiro de 1510, Afonso de Albuquerque, ao mando de uma frota portuguesa integrada por 21 navios e uns mil e seiscentos homens, conquistou para a Coroa de Portugal o territ\u00f3rio indiano de Goa. No 18 de dezembro de 1961 o ex\u00e9rcito indiano invadiu o territ\u00f3rio, sem nada poderem fazer as poucas for\u00e7as portuguesas que o defendiam naquela altura. Passando a ser Goa, com capital em Panjim, um novo estado da Uni\u00e3o Indiana, federado com os outros que integram a Rep\u00fablica da \u00cdndia. Durante 451 anos, esta formosa terra, que banha o Mar Ar\u00e1bigo, pertenceu a Portugal, como uma col\u00f3nia, e nos \u00faltimos tempos com a denomina\u00e7\u00e3o de prov\u00edncia portuguesa do Ultramar. Hoje \u00e9 sem d\u00favida o territ\u00f3rio indiano mais rico, melhor organizado e estruturado de todos, com uma riqueza tur\u00edstica enorme. As pessoas maiores ainda conservam viva ali a l\u00edngua portuguesa, e h\u00e1 infinidade de vest\u00edgios relacionados com a cultura lus\u00f3fona. Por estar situado o territ\u00f3rio de Goa no subcontinente indiano e muito perto da cidade de Bombaim (hoje de nome oficial Mumbai), para os escritores e intelectuais goeses a figura de Tagore era j\u00e1 muito conhecida ali desde princ\u00edpios do s\u00e9culo XX, e mais desde que se lhe concedera o Nobel de Literatura no ano 1913. Temas dos que se faziam eco a mi\u00fado os meios de comunica\u00e7\u00e3o goeses. Traduzido ao portugu\u00eas por Jos\u00e9 F. Ferreira Martins, no ano 1914, publica-se em Nova Goa a obra\u00a0<em>Chitra (Chitrangoda)<\/em>, o primeiro livro de Robindronath publicado em portugu\u00eas em terras da \u00cdndia. Muitos goeses formados nas universidades da metr\u00f3pole, nomeadamente na mais famosa de Coimbra, foram grandes tagoreanos, admiravam a sua obra e pensamento e escreveram numerosos interessantes artigos e livros sobre a sua figura. Exponho a continua\u00e7\u00e3o importantes dados sobre o relacionamento de Tagore com Goa e destacados goeses, produto das minhas pesquisas feitas ali nas minhas viagens realizadas desde Santiniketon a este territ\u00f3rio nos dous \u00faltimos anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2112\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/IMG_93311.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2112\" class=\" wp-image-2112 \" title=\"IMG_9331\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/IMG_93311.jpg\" alt=\"\" width=\"372\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/IMG_93311.jpg 3072w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/IMG_93311-300x225.jpg 300w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/IMG_93311-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2112\" class=\"wp-caption-text\">A palestra na States Library em Panjim, Goa<\/p><\/div>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 1.-Telo de Mascarenhas (1899-1979), importante tradutor tagoreano:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>Ademais de tagoreanos goeses muito importantes, como Adeodato Barreto, Prop\u00e9rcia Correia e Froilano de Melo, dos que falarei mais adiante, considero, por muitos motivos, Telo de Mascarenhas, nascido em Mormug\u00e3o-Goa, como um dos tagoreanos lus\u00f3fonos mais importantes do mundo, compar\u00e1vel a qualquer outro tagoreano de outras nacionalidades e idiomas mundiais. Especialmente porque, como dominava o idioma bengali (Bangla), levou a cabo formosas tradu\u00e7\u00f5es ao portugu\u00eas de obras tagoreanas:\u00a0<em>A Casa e o Mundo (Ghore Baire), O Naufr\u00e1gio (Noukadubi), As quatro vozes (Choturongo)<\/em>\u00a0e uma antologia de contos com o t\u00edtulo gen\u00e9rico de\u00a0<em>A chave do enigma e outros contos<\/em>. Em 1943 editou no Porto um interessante estudo titulado\u00a0<em>Rabindranath Tagore e a sua mensagem espiritual<\/em>. No mesmo ano publicou a tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas do livro de Gandhi\u00a0<em>Hist\u00f3ria da minha vida<\/em>. Foi um grande admirador e estudioso da cultura indiana, o que o levou a publicar monografias sobre a mulher hindu, Goa e a sua terra, o Ramayana e v\u00e1rias antologias de contos indianos. Em 1920 partiu para Portugal onde, na universidade de Coimbra, se formou em direito. Por algum tempo exerceu de not\u00e1rio e, juntamente com Adeodato Barreto e Jos\u00e9 Paulo Teles, criou em Coimbra o jornal\u00a0<em>\u00cdndia Nova<\/em>\u00a0e na sua universidade o Instituto Indiano, para o que receberam o apoio do pr\u00f3prio Tagore. Em jornais goeses, como O Heraldo e no Ressurge Goa, criado por ele mesmo, escreveu em v\u00e1rias ocasi\u00f5es sobre a figura de Robindronath, dedicando-lhe algum que outro poema e traduzindo outros do poeta bengali para o portugu\u00eas. Em 1984 o governo da \u00cdndia dedicou-lhe uma monografia da s\u00e9rie \u201cBuilders of Modern India\u201d escrita por Shashikar Kelekar e editada pelas Publications Division-Ministry of Information and Broadcasting-Government of India. Que amostra o reconhecimento da Rep\u00fablica Indiana ao escritor, jornalista, poeta, tradutor e grande tagoreano Mascarenhas. Pelo seu amor a Goa, \u00e0 \u00cdndia e sua cultura, \u00e0 obra e pensamento de Tagore e o apoio que teve sempre para a causa indiana do territ\u00f3rio go\u00eas, em contra da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, tema pelo que mesmo esteve v\u00e1rios anos no c\u00e1rcere de Lisboa. Sem embargo, conv\u00e9m assinalar que amou e defendeu sempre de forma profunda a l\u00edngua portuguesa. Basta com ler muitos dos seus poemas e romances e os seus artigos nos diferentes jornais de Goa. No seu momento, e no nome da Comiss\u00e3o Organizadora do Instituto Indiano da Universidade de Coimbra, escreveu a Tagore para conseguir para o mesmo o seu apoio e o envio de livros tagoreanos. No jornal \u00cdndia Nova de 7 de maio de 1928 publica-se em tradu\u00e7\u00e3o portuguesa a carta de resposta de Robindronath. Na que o bengali se alegra da cria\u00e7\u00e3o do Instituto e anima os seus dinamizadores, dando tamb\u00e9m conta do envio de v\u00e1rios dos seus livros para a biblioteca do mesmo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 2.-Outros importantes tagoreanos:<\/strong><\/p>\n<p>Nas nossas recentes pesquisas realizadas nas \u00faltimas visitas a Goa e, em concreto, \u00e0 nova biblioteca da capital Panjim, ao Instituto Vasco da Gama (hoje com o nome de Menezes Bragan\u00e7a), e \u00e0s cidades de Marg\u00e3o e Mapu\u00e7\u00e1, encontramos documenta\u00e7\u00e3o muito importante sobre outros tagoreanos destacados e sobre a presen\u00e7a da figura de Tagore na imprensa goesa, em boletins, revistas e jornais. Ademais de Telo de Mascarenhas foram tagoreanos os que a seguir resenho :<\/p>\n<p><strong>a) Adeodato Barreto (1905-1937):<\/strong><\/p>\n<p>Professor, not\u00e1rio, jornalista e poeta, de nome completo J\u00falio Francisco Ant\u00f3nio Adeodato Barreto, tinha nascido na localidade de Marg\u00e3o. Em 1923 partiu para Coimbra, onde na sua universidade estudou as carreiras de Direito, Letras e Ci\u00eancias Filos\u00f3ficas. Preocupado pela educa\u00e7\u00e3o, diplomou-se tamb\u00e9m na Escola Normal Superior e, por um tempo, exerceu de docente em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es educativas, chegando a criar a Universidade Livre de Coimbra. O labor social e pedag\u00f3gico que desenvolveu na comarca da cidade do rio Mondego, a favor da inf\u00e2ncia, do povo e dos trabalhadores, \u00e9 merecedor de um estudo profundo, porque foi exemplar e modelar, seguindo os princ\u00edpios do movimento da Escola Nova e as ideias educativas tagoreanas. Infelizmente morreu muito jovem, sem poder desenvolver mais o seu estupendo labor. No entanto, escreveu de forma profunda sobre muitos e variados temas e, junto com Telo de Mascarenhas e Jos\u00e9 Paulo Teles, como j\u00e1 comentamos antes, com o apoio de v\u00e1rios professores da Faculdade de Letras, criou o Instituto Indiano de Coimbra e, em 1928 o jornal \u00cdndia Nova, para promover a civiliza\u00e7\u00e3o e o humanismo oriental, onde tamb\u00e9m foram publicados alguns poemas tagoreanos e estudos sobre a sua figura. Da autoria de Barreto \u00e9 um amplo estudo sobre a\u00a0<em>Civiliza\u00e7\u00e3o hindu (Autodom\u00ednio. Toler\u00e2ncia. Humanismo. S\u00edntese)<\/em>, que foi publicada como livro pela revista Seara Nova de Lisboa no ano 1936. Como tinha que ser, dedica-lhe amplos espa\u00e7os \u00e0s figuras de Tagore e Gandhi. Surpreende que \u00e9 ainda hoje o dia que n\u00e3o est\u00e1 publicada a tradu\u00e7\u00e3o que fez do franc\u00eas para o portugu\u00eas da biografia\u00a0<em>Mahatma Gandhi<\/em>, publicada em 1925 em Paris pelo tamb\u00e9m tagoreano Romain Rolland, que com grande agrado pela sua parte autorizou a sua tradu\u00e7\u00e3o. E ainda mais, que esteja in\u00e9dito um estudo descritivo e cr\u00edtico que Barreto escreveu em 1929-30 com o t\u00edtulo de\u00a0<em>Ideias pedag\u00f3gicas de Tagore<\/em>, sobre a pedagogia tagoreana, seguido de um ensaio para a aplica\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas portuguesas dos seus princ\u00edpios fundamentais. Por \u00faltimo, n\u00e3o quero deixar de assinalar que desde a rua do Rego d\u00b4\u00c1gua, n\u00famero 3, de Coimbra, o dia 27 de abril de 1931, Barreto envia uma muito interessante e longa carta manuscrita a Robindronath. Na mesma, entre outras cousas, solicita autoriza\u00e7\u00e3o para realizar tradu\u00e7\u00f5es de obras tagoreanas ao idioma portugu\u00eas. Desde Santiniketon, o dia 18 de abril do mesmo ano resposta no nome de Tagore o seu secret\u00e1rio particular Onil Kumar Chondro. Tenho c\u00f3pias de ambas cartas, das que se encontram digitalizadas no museu-biblioteca-arquivo de Robindro-Bhovon de Visva-Bharoti-Santiniketon (Bengala).<\/p>\n<p><strong>b) Prop\u00e9rcia Correia Afonso de Figueiredo (1882-1944):<\/strong><\/p>\n<p>Professora e conferencista, nasceu em Benaulim-Salsete. Foi uma estudante brilhante da Escola Normal de Goa, mestra de prim\u00e1ria e depois, pelos seus m\u00e9ritos, professora desta Escola Normal at\u00e9 o seu falecimento. Por v\u00e1rias vezes, substituiu o diretor da mesma e o inspetor de ensino prim\u00e1rio. Chegou a ser vogal do Conselho de Instru\u00e7\u00e3o e do Conselho da prov\u00edncia ultramarina de Goa. Pronunciou ao longo da sua vida muitas e interessantes confer\u00eancias. Foi s\u00f3cia efetiva do Instituto Vasco da Gama de Panjim, escrevendo assiduamente para o Boletim desta institui\u00e7\u00e3o. Em 1933 publicou um muito interessante estudo de mais de duzentas p\u00e1ginas sobre\u00a0<em>A mulher na \u00cdndia Portuguesa<\/em>. Os seus estudos pedag\u00f3gicos sobre a crian\u00e7a e a l\u00edngua, o jogo como escola de vida, o folclore na vida da crian\u00e7a, os jardins da inf\u00e2ncia, a educa\u00e7\u00e3o das meninas, a \u00e9tica dos docentes, a educa\u00e7\u00e3o para a solidariedade, a educa\u00e7\u00e3o familiar e a educa\u00e7\u00e3o social, ademais de serem muito inovadores, revelam como foi grande pedagoga e o conhecimento profundo que tinha das grandes figuras europeias da pedagogia e da psicologia. Por isto, o seu amplo trabalho\u00a0<em>\u201cRabindranath Tagore. O educador!\u201d<\/em>, publicado em 1942 no n\u00famero 51 do Boletim do Instituto Vasco da Gama, \u00e9 uma verdadeira maravilha, e no que se amostra o apre\u00e7o e amplo conhecimento que a educadora tinha por Tagore e pelo seu modelo educativo. No mesmo vai analisando a profunda voca\u00e7\u00e3o de educador que tinha Robindronath, as ideias educativas tagoreanas sobre a psicologia da crian\u00e7a, a alma infantil, a import\u00e2ncia do papel da m\u00e3e, a l\u00edngua materna, o valor educativo das artes, a educa\u00e7\u00e3o social do povo, o mestre na conce\u00e7\u00e3o tagoreana e o valor do ensino para o logro de grandes ideais. Analisa assim mesmo as institui\u00e7\u00f5es educativas tagoreanas da Morada da Paz-Santiniketon e da universidade internacional de Visva-Bharoti (Sabedoria Universal), as suas atividades e modelos did\u00e1tico-educativos. Tomando como base para o seu estudo a biografia sobre Robindronath do portugu\u00eas Bento de Jesus Cara\u00e7a, publicada por Seara Nova de Lisboa em 1939, analisa o significado das palavras bengalis \u201cRobi\u201d e \u201cKobi\u201d (Sol e Poeta) e comenta especialmente v\u00e1rios e lindos poemas tagoreanos do livro\u00a0<em>A lua nova (The crescent moon\/Sissu),\u00a0<\/em>como \u201co \u00faltimo contrato\u201d, \u201ca escola das flores\u201d, \u201ca flor da champaca\u201d e \u201co astr\u00f3nomo\u201d. Como tinha que ser, outro dos livros que comenta \u00e9 o\u00a0<em>Gitanjali<\/em>\u00a0(<em>Oferenda l\u00edrica).<\/em><\/p>\n<p><strong>c)<\/strong><em>\u00a0<\/em><strong>Froilano de Melo (1887-1955):<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0<\/strong>De nome completo Indal\u00eacio Froilano Pascoal de Melo, foi um m\u00e9dico de renome internacional, extraordin\u00e1rio parasitologista, epidemiologista e grande orador. Nasceu em Benaulim-Salsete e faleceu no Brasil. Foi um destacado professor da Escola M\u00e9dica de Goa, a mais importante de \u00c1sia naquela altura. Desde 1922 foi tamb\u00e9m professor na Faculdade de Medicina do Porto. Participou como relator em numerosos congressos m\u00e9dicos celebrados em muitos lugares do mundo. Foi um grande investigador e publicou infinidade de trabalhos sobre temas relacionados\u00a0 com as suas especialidades cient\u00edficas e m\u00e9dicas. Escrita no ano 1944 e publicada posteriormente pelo jornal O Com\u00e9rcio do Porto, \u00e9 muito interessante a sua monografia titulada\u00a0<em>O c\u00e2ntico da vida na poesia tagoreana<\/em>. Tema que antes foi uma sua confer\u00eancia pronunciada o dia 4 de fevereiro de 1946 nos locais da Liga Portuguesa de Profilaxia Social. De maneira muito acertada, com grande sensibilidade, reveladora do seu apre\u00e7o pela poesia de Tagore, vai analisando passo a passo, tomando como base os livros po\u00e9ticos tagoreanos mais importantes:\u00a0<em>Gitanjali (Oferenda l\u00edrica), The Gardener (O Jardineiro), Lover\u00b4s Gift (Regalo de amante), Fruit Gathering (A Colheita), The Crescent Moon (A lua nova)\u00a0<\/em>e, entre outros,<em>\u00a0Stray Birds (P\u00e1ssaros perdidos)<\/em>, a l\u00edrica tagoreana da primeira inf\u00e2ncia, o delicioso arrulhar da segunda inf\u00e2ncia, a li\u00e7\u00e3o do adolescente, a delicada timidez do amor feminino, o velado id\u00edlio entre dous, a \u00e9tica da maturidade e a can\u00e7\u00e3o da morte. Este interessante livro fecha-se com um muito documentado gloss\u00e1rio dos termos tradicionais da cultura indiana empregados no estudo.<\/p>\n<p><strong>d) Am\u00e2ncio Gracias (1872-1950):<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 \u00a0<\/strong>De nome completo Jo\u00e3o Baptista Am\u00e2ncio Gracias, nasceu em Loutulim, concelho de Salcete-Goa. Foi um historiador e pol\u00edgrafo ilustre. Escreveu infinidade de artigos num elevado n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas goesas. Tamb\u00e9m morou em Mo\u00e7ambique, Angola e Cabo Verde. Foi secret\u00e1rio da Imprensa Nacional de Goa, colaborador do jornal O S\u00e9culo de Lisboa e correspondente da Academia das Ci\u00eancias de Lisboa, do Instituto de Coimbra e do instituto Vasco da Gama de Panjim e, por muitos anos, vogal da Comiss\u00e3o Permanente de Arqueologia de Goa. Entre os seus m\u00faltiplos e interessantes artigos sobre temas dos mais variados, hist\u00f3ricos e bibliogr\u00e1ficos, etnogr\u00e1ficos e arqueol\u00f3gicos, quero destacar aquele intitulado\u00a0<em>\u201cTagore, pol\u00edtico e poeta\u201d<\/em>. Publicado, tamb\u00e9m como separata, no Boletim do Instituto Vasco da Gama, n\u00famero 51, do ano 1941 (Bastor\u00e1-Goa, Tipografia Rangel), analisa no mesmo duas destacadas facetas de Tagore, a de s\u00f3cio-pol\u00edtico e a de poeta. Entre outros interessantes aspetos tagoreanos, comenta a perten\u00e7a de Robindronath ao Brahmo-Samaj, criado pelo Raja Rammohun Roy a princ\u00edpios do s\u00e9culo XIX. Tamb\u00e9m, de forma ampla, o grande valor de Tagore ao renunciar ao t\u00edtulo de \u201cSir\u201d dado pelos brit\u00e2nicos, depois das famosas matan\u00e7as de inocentes indianos no ano de 1919 na cidade de Amritsar. Entre os livros tagoreanos do seu maior interesse no artigo comenta especialmente as obras\u00a0<em>Nationalism (Nacionalismo), Gitanjali (Oferenda l\u00edrica), Creative Unity (Unidade Criadora), The Religion of Man (A Religi\u00e3o do Homem)<\/em>\u00a0e, entre os po\u00e9ticos as\u00a0<em>Can\u00e7\u00f5es vespertinas e matutinas<\/em>, ademais do\u00a0<em>Kori o Komol (Duro e Tenro)<\/em>. \u00c9 tamb\u00e9m enormemente interessante a an\u00e1lise que faz da escola tagoreana de Santiniketon, da universidade internacional de Visva-Bharoti, e de que por pr\u00f3prio merecimento, como grande mestre de mestres que foi, Tagore \u00e9 conhecido na \u00cdndia como \u201cGurudev\u201d, apelativo de uso exclusivo para Robindronath.<\/p>\n<p><strong>e) Renato de S\u00e1 (1908-1981):<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Panjim-Goa, foi farmac\u00eautico, literato e jornalista. Estudou na famosa escola M\u00e9dica de Goa. Colaborou em numerosos jornais e revistas goeses e portugueses, sobre assuntos liter\u00e1rios, biogr\u00e1ficos, cr\u00f3nicas e reportagens. Entre eles o Di\u00e1rio de Lisboa, O Primeiro de Janeiro de Porto e O Globo de Rio de Janeiro. O seu grande amor por tudo o que fosse cultura e l\u00edngua portuguesa levou-o, em 1964, a fundar o Centro de Cultura Latina na cidade de Panjim. Quatro anos mais tarde, em 1968, criou uma interessante revista anual com o formoso t\u00edtulo de A Harpa Goesa, na que tiveram cabida textos tagoreanos e depoimentos sobre a sua figura.. Da mesma publicaram-se catorze n\u00fameros. O \u00faltimo de dezembro de 1981 \u00e9 um monogr\u00e1fico dedicado \u00e0 mem\u00f3ria de Renato de S\u00e1. O que o 24 de setembro de 1934 envia uma carta manuscrita a Tagore desde Nova Goa, respondida no 30 do mesmo mes pelo secret\u00e1rio de Robindronath em Santiniketon. Uma nova carta manuscrita, com data de 21 de dezembro de 1938 \u00e9 enviada a Tagore por de S\u00e1, na que fala sobre a grande figura de Gandhi. Com data de 2 de janeiro de 1939 Tagore envia a R. de S\u00e1 uma sua fotografia autografada. Em Robindro-Bhovon existem c\u00f3pias digitalizadas destas cartas, das que tenho fotoc\u00f3pias.<\/p>\n<p><strong>f) Mariano Jos\u00e9 de Saldanha (1878-1975):<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0 <\/strong>Professor e m\u00e9dico, nasceu em Ucassaim, concelho de Bardez-Goa. Estudou na Escola M\u00e9dica goesa e, mais tarde, terminou os estudos na Escola Colonial de Lisboa e a Licenciatura em s\u00e2nscrito na Faculdade de Letras da mesma capital portuguesa. Foi docente dos idiomas marata e s\u00e2nscrito no Liceu de Nova Goa de 1915 a 1929, e desde este ano, at\u00e9 1948, destacado professor de s\u00e2nscrito na Faculdade de Letras de Lisboa. Durante dous anos ensinou tamb\u00e9m concani, ademais de s\u00e2nscrito, na Escola Superior Colonial, sendo por um tempo, na mesma, subdiretor do Instituto de L\u00ednguas Africanas e Orientais. Foi tamb\u00e9m s\u00f3cio do Instituto Vasco da Gama de Panjim. Escreveu infinidade de artigos e op\u00fasculos, de temas muito curiosos e variados, especialmente relacionados com as l\u00ednguas, a cultura indiana e temas culturais de Goa. Visitou no seu momento a escola de Santiniketon tagoreana, da que ficou gratamente surpreendido. Em 1943, a revista da Faculdade de Letras de Lisboa, no seu tomo X, com v\u00e1rias e interessantes ilustra\u00e7\u00f5es e l\u00e2minas, publica o estudo de Saldanha titulado <em>\u201cO Poeta duma Universidade e a Universidade de um Poeta ou Rabindranath Tagore e a sua obra liter\u00e1ria e pedag\u00f3gica\u201d<\/em>. Em 24 p\u00e1ginas, publicado tamb\u00e9m como separata, o autor analisa n\u00e3o s\u00f3 a interessante obra liter\u00e1ria de Tagore, sen\u00e3o tamb\u00e9m a sua grande obra educativa da escola nova de Santiniketon, com as suas aulas ao ar livre, e a da universidade internacional de Visva-Bharoti, comentando os princ\u00edpios te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos das institui\u00e7\u00f5es educativas tagoreanas. Este estudo muito interessante foi antes uma confer\u00eancia proferida por Saldanha o 29 de maio de 1943 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ilustrada com proje\u00e7\u00f5es luminosas e precedida de uma invoca\u00e7\u00e3o em s\u00e2nscrito por Sudhindro M. Tagore, seguida da can\u00e7\u00e3o em bengali (Bangla) \u201cA lira do universo\u201d, letra e m\u00fasica de R. Tagore, cantada por alunas do curso de s\u00e2nscrito, acompanhadas pelo \u00f3rg\u00e3o da sala. Foi esta a primeira vez que se ouviram em Portugal as duas l\u00ednguas indianas, o antigo s\u00e2nscrito e o Bangla, cantadas no 65\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da cadeira de s\u00e2nscrito que fora inaugurada no mesmo centro educativo superior pelo saudoso e douto professor Guilherme de Vasconcelos Abreu.<\/p>\n<p><strong>g) Outros Tagoreanos goeses:<\/strong><\/p>\n<p>Em Goa, por estar inserida em territ\u00f3rio indost\u00e2nico, houve outros tagoreanos menores, se os comparamos com os resenhados antes, mas tamb\u00e9m merecedores de que os citemos neste nosso estudo. Em primeiro lugar, temos ao professor Ramachondra Naique, que tinha feito uma confer\u00eancia sobre Robindronath intitulada <em>\u00abO Gurudeva de Santiniketana\u00bb<\/em>, que veio publicada no jornal Heraldo o 13 de setembro de 1941, seguida no mesmo di\u00e1rio os dias 16 e 18 do mesmo m\u00eas. Em segundo lugar, est\u00e1 o Padre Altino Ribeiro Santana (1915-1973), nascido em Pavorim do Socoro e falecido em Mo\u00e7ambique, que com o t\u00edtulo de <em>\u201cO ideal religioso de Tagore\u201d<\/em> publicou um interessante depoimento de 5 p\u00e1ginas no Boletim Eclesi\u00e1stico da Arquidiocese de Goa no n\u00ba 02, Vol. A01, do ano 1942. Outro padre chamado Carmo da Silva, no mesmo Boletim antes citado, n\u00ba 09 e Vol. A05, do ano 1947, publica outro formoso depoimento de tr\u00eas p\u00e1ginas com o t\u00edtulo de <em>\u201cA mensagem de Tagore\u201d<\/em>. Bas\u00edlio Joaquim Francisco Furtado, na Xaverian Printing Press, em 1965, publica uma biografia de 53 p\u00e1ginas sobre Tagore. Pela sua parte, Sitarama Quercar publica outra em fevereiro de 1915 na revista Luz do Oriente. Assim mesmo uma outra biografia escrita por Damodar B. Bounsul\u00f3, \u00e9 publicada em 1950 na revista do Liceu nacional Afonso de Albuquerque. Baixo o t\u00edtulo de <em>\u201cR. Tagore: Gitanjali uma visual experi\u00eancia\u201d, <\/em>Eug\u00e9ne d\u00b4Vaz da \u00e0 luz um estudo na Inland Book de Chennai, em 2005. \u00c1ureo de Quadros, em 1996, publica em Panjim uma tradu\u00e7\u00e3o sua do Gitanjali ao portugu\u00eas. Jos\u00e9 F. Ferreira Martins, do que j\u00e1 comentamos mais acima que traduziu ao portugu\u00eas a obra <em>Chitra<\/em> em 1914, publicou tamb\u00e9m em Goa, no ano seguinte de 1915, <em>Poemas em prosa<\/em> de Tagore. E Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o Souza escreve sobre as ideias religiosas de Tagore. Sempre houve um grande interesse em comparar as ideias crist\u00e3s com as pr\u00f3prias ideias religiosas de Robindronath. Especialmente num territ\u00f3rio como Goa, no que a religi\u00e3o crist\u00e3 era maiorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Pelo seu interesse, n\u00e3o quero deixar de citar que, na localidade nortenha de Goa denominada Mapu\u00e7\u00e1, existiu com o nome de \u201cTagore Academic Association\u201d, uma institui\u00e7\u00e3o dedicada a Robindronath. Deste importante dado inteirei-me em Robindro-Bhovon de Santiniketon, ao encontrar c\u00f3pias digitalizadas de duas cartas enviadas a Tagore pelo secret\u00e1rio desta associa\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, Caxinath Sar Dessay, com datas de 3 de novembro e 7 de dezembro de 1937. O 22 de novembro do mesmo ano o secret\u00e1rio de Tagore responde \u00e0 primeira desde Santiniketon. Temos fotoc\u00f3pias das mesmas e consideramos que \u00e9 muito importante continuar no futuro investigando sobre o labor desta academia tagoreana em Goa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 3.-Tagore na imprensa de Goa :<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima visita feita por mim a Goa contei com a inestim\u00e1vel colabora\u00e7\u00e3o, para as minhas pesquisas sobre Tagore, da funcion\u00e1ria da biblioteca de Goa em Panjim, M\u00aa de Lourdes Bravo da Costa Rodrigues, profundamente lus\u00f3fona, e que j\u00e1 conhecia de visitas anteriores. Do historiador e escritor de Panjim Percival Noronha, que mora no bairro de Fontainhas e tamb\u00e9m conhecia antes. E dos tr\u00eas que conheci agora, o professor de Mapu\u00e7\u00e1 Suresh Amonkar, a professora e escritora de Aldona-Bardez Maria Aurora Couto e o funcion\u00e1rio analista de Curtorim-Salcete Rafael Viegas, filho do grande jornalista e bibliotec\u00e1rio \u00c1lvaro Viegas (1894-1946). Estou muito agradecido para todos e, em especial, para Viegas, porque me forneceu c\u00f3pias de interessantes documentos sobre artigos e textos dedicados a Tagore nos jornais goeses <em>O Acad\u00e9mico<\/em> e <em>O Ultramar<\/em>. De este \u00faltimo era secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o o pr\u00f3prio pai de Viegas.<\/p>\n<p>Ademais dos artigos e depoimentos sobre Tagore publicados nos jornais goeses Heraldo, O Heraldo, Ressurge Goa!, Di\u00e1rio da noite e nos Boletins do Instituto Vasco da Gama e Eclesi\u00e1stico da Arquidiocese de Goa, que j\u00e1 comentei anteriormente ao referir-me aos autores dos mesmos, quero destacar, pelo seu interesse, os aparecidos em <em>O Acad\u00e9mico<\/em> e <em>O Ultramar<\/em>, ap\u00f3s o falecimento de Robindronath. <em>O Acad\u00e9mico<\/em> era uma revista bimensal, \u00f3rg\u00e3o e propriedade da Uni\u00e3o Acad\u00e9mica de Nova Goa. No n\u00famero 4 de maio de 1941 publica-se um editorial, com foto inclu\u00edda, dedicado a Tagore, no que se exal\u00e7a a sua figura. O n\u00famero 6 de setembro de 1941 \u00e9 um n\u00famero monogr\u00e1fico de 50 p\u00e1ginas de homenagem a Robindronath. Ademais do editorial, em vinte brilhantes artigos, analisa-se a figura e obra de Tagore, as suas m\u00faltiplas facetas de escritor, educador, fil\u00f3sofo, pensador, poeta, a sua terra bengalesa, a sua vida e institui\u00e7\u00f5es, os seus ideais e o seu labor e pensamento social. Entre outros, escrevem Ruy Sant\u00b4Elmo, L\u00facio de Miranda, Pedro Correia, Berta de Menezes, Soares de Rebelo, Joaquim da Silva, Augusto Cabral, Caxinata Damodar, \u00c1ureo de A. Quadros, Ant\u00f3nio Furtado, Xencora B. Camotim, Dat\u00e1 Caxinata e Jorge de Ata\u00edde Lobo. Merece ser destacado o artigo titulado <em>\u201cTagore e os portugueses\u201d<\/em>, na p\u00e1gina 31, no que escrevem pequenos depoimentos sobre Tagore e a sua obra destacados escritores como J\u00falio Dantas, Agostinho de Campos, E. Tudela de Castro, Augusto de Casimiro, Ferreira de Castro e Bento de Jesus Cara\u00e7a, sendo para mim este \u00faltimo o maior tagoreano portugu\u00eas.<\/p>\n<p><em>O Ultramar <\/em>era um seman\u00e1rio da localidade de Marg\u00e3o, fundado em 1859, que passou a bisseman\u00e1rio em 1905 e com o n\u00famero 5.499 deixou de publicar-se em setembro de 1941. Pouco antes de fechar, com data de 25 de agosto de 1941, poucos dias depois do falecimento de Tagore, dedicou-se-lhe um n\u00famero monogr\u00e1fico de homenagem a Robindronath. No mesmo, o n\u00famero 5.497 em concreto, resenha-se a homenagem que a C\u00e2mara Municipal de Marg\u00e3o lhe tributou ao vate bengali, fazendo a cr\u00f3nica dos atos celebrados e os intervenientes nos mesmos, recolhendo os textos dos diferentes discursos, que foram muito lindos e acertados. O juiz comarc\u00e3o e presidente do ato, Dr. Siurama Bolvonta Rau pronunciara um discurso acerca da grande personalidade de Robindronath. O Dr. Ant\u00f3nio Cola\u00e7o, que tinha nascido em Aldona-Bardez em 1889 e faleceu em Marg\u00e3o em 1983, foi um importante m\u00e9dico, e como jornalista colaborou, assiduamente, no <em>Heraldo<\/em> e no <em>A Vida<\/em> de Marg\u00e3o. Admirava Tagore e tamb\u00e9m o tagoreano Froilano de Melo, sobre o que em 1955 publicou uma monografia. Por isto o texto da sua interven\u00e7\u00e3o sobre Tagore, na homenagem que comentamos, \u00e9 muito formoso. Igual que o do outro interveniente, o professor Eduardo da Silva. No n\u00famero 5.498, de 22 de setembro do mesmo ano, o pen\u00faltimo publicado antes de fechar, num artigo da reda\u00e7\u00e3o, com o t\u00edtulo de <em>\u201cA sua li\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, fala-se outra vez de Tagore.<\/p>\n<p>Reproduzido em <em>O Heraldo <\/em>de Goa do 14 de fevereiro de 2011, aparece um artigo titulado <em>\u201cOs dramas de Tagore\u201d<\/em>, que foi escrito em 1961 por Paraxurama Quensori. No mesmo fala da profundidade, sentimentalismo, lirismo e simbolismo do teatro tagoreano. Tamb\u00e9m da sua dificuldade para ser representado. Ademais de sinalar a import\u00e2ncia que o teatro tem em Bengala, centra-se especialmente na an\u00e1lise da formosa obra <em>Roktokorobi (Red Oleanders)<\/em> de Tagore. Na que Robindronath <em>\u201capresenta um quadro vivo da crise da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do mundo e trata do horr\u00edvel dilema do homem moderno nas garras da sociedade aquisitiva e materializada\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Tampouco se devem esquecer os textos que sobre a vida e obra de Tagore aparecem publicados periodicamente no jornal go\u00eas <em>O Bharat<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Tagore e Goa: Bibliografia b\u00e1sica :<\/strong><\/p>\n<p>BARRETO, Adeodato: <em>Ideias pedag\u00f3gicas de Tagore<\/em>. Goa, 1929-30. In\u00e9dito.<\/p>\n<p>ID.: <em>Civiliza\u00e7\u00e3o hindu<\/em>. Lisboa: Seara Nova, 1935. Sobre R. Tagore: Pp. 240-247.<\/p>\n<p>BRAGAN\u00c7A, Berta M.: <em>Adeodato Barreto (1905-1937)<\/em>. Bastor\u00e1-Goa: Tip. Rangel. Sep\u00aa Bol. Inst. Menezes Bragan\u00e7a n\u00ba \u00a096, 1971.<\/p>\n<p>CORREIA AFONSO DE FIGUEIREDO, Prop\u00e9rcia: <em>\u201cRabindranath Tagore-O Educador!\u201d<\/em>. Bastor\u00e1-Goa: Boletim do Instituto Vasco da Gama n\u00ba 51, ano 1941, Pp. 27-52.<\/p>\n<p>DA COSTA, Aleixo Manuel: <em>Dicion\u00e1rio de Literatura Goesa (3 volumes)<\/em>. Macau-Lisboa: Instituto Cultural de Macau-Funda\u00e7\u00e3o Oriente, 1997.<\/p>\n<p>DA SILVA, Padre Carmo: <em>\u201cA mensagem de Tagore\u201d<\/em>. Goa: Boletim Eclesi\u00e1stico da Arquidiocese n\u00ba 9, 1947, Pp. 287-289.<\/p>\n<p>FURTADO, Bas\u00edlio J. F.: <em>Rabindranath Tagore<\/em>. Goa: Xaverian Print Press, 1965.<\/p>\n<p>GRACIAS, J. B. Am\u00e2ncio: \u201c<em>Tagore, pol\u00edtico e poeta\u201d<\/em>. Bastor\u00e1-Goa: Boletim do Instituto Vasco da Gama n\u00ba 51, ano 1941, Pp. 1-26. (Tamb\u00e9m editado em separata, pelo mesmo Boletim).<\/p>\n<p>KELEKAR, Shashikar: <em>Telo de Mascarenhas<\/em>. N. Delhi: Publications Division ofIndia, 1984.<\/p>\n<p>MASCARENHAS, Telo de: <em>Rabindranath Tagore e a sua mensagem espiritual. <\/em>Porto: Ed. Oriente, 1943.<\/p>\n<p>ID.: <em>When the Mango-Trees Blossomed. Quasi-Memoirs. <\/em>Bombay: Orient Longman, 1976.<\/p>\n<p>MELO, I. Froilano P. de: <em>O C\u00e2ntico da vida na poesia tagoreana<\/em>. Porto: O Com\u00e9rcio, 1946.<\/p>\n<p>ID.: <em>A mulher hindu<\/em>. Bastor\u00e1-Goa: Jaime Rangel, 1927.<\/p>\n<p>RIBEIRO SANTANA, Altino: <em>\u201cO ideal religioso de Tagore\u201d<\/em>. Goa: Boletim Eclesi\u00e1stico da Arquidiocese n\u00ba 2, 1942, Pp. 73-78.<\/p>\n<p>___________________________________________________________<\/p>\n<p><em>*Professor Doutor Jos\u00e9 Paz Rodrigues, \u00e9 considerado um dos maiores especialistas mundiais em Tagore. O Prof. Rodrigues tem uma das maiores bibliotecas de mundo sobre Tagore, com mais de 30.000 volumes em diversas linguas, e \u00e9 um estudioso de Tagore desde 1966. A tese de doutoramento do Prof. Rodrigues em 1966 na Universidade Aberta de Madrid teve como t\u00edtulo \u201cTagore, Pioneiro da Nova Educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ademais de tagoreanos goeses muito importantes, como Adeodato Barreto, Prop\u00e9rcia Correia e Froilano de Melo, o Professor espanhol Paz Rodrigues considera, numa palestra proferida na LSG &#8211; Lusophone Society of Goa em Panjim, Goa, por muitos motivos, Telo de Mascarenhas, &hellip; <a href=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/2013\/02\/the-goan-telo-de-mascarenhas-is-considered-one-of-the-most-important-portuguese-speaking-tagoreans-of-the-world\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-culture"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1919"}],"version-history":[{"count":122,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2436,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919\/revisions\/2436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}