{"id":2976,"date":"2013-04-18T18:18:41","date_gmt":"2013-04-18T18:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/sh118.global.temp.domains\/~igsgorg\/lusophonegoa\/?p=2976"},"modified":"2013-04-18T18:18:41","modified_gmt":"2013-04-18T18:18:41","slug":"lusophone-world-much-wider-than-imagination-allows-conceiving-luciano-canhanga-angolan-writer-in-an-interview-with-lsg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/2013\/04\/lusophone-world-much-wider-than-imagination-allows-conceiving-luciano-canhanga-angolan-writer-in-an-interview-with-lsg\/","title":{"rendered":"&#8220;Mundo lus\u00f3fono muito mais vasto do que a imagina\u00e7\u00e3o permite conceber&#8221;  Luciano Canhanga escritor angolano em entrevista \u00e0 LSG"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Luciano_canhanga1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2981\" title=\"Luciano_canhanga\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Luciano_canhanga1.jpg\" alt=\"\" width=\"156\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Luciano_canhanga1.jpg 319w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/Luciano_canhanga1-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 156px) 100vw, 156px\" \/><\/a><strong>&#8220;A primeira vez que ouvi falar de Goa devia estar a frequentar a 4\u00aa Classe e foi durante uma aula de portugu\u00eas em que o assunto era o mundo lus\u00f3fono. Como Goa era um top\u00f3nimo estranho recorri ao atlas para localizar no mapa este territ\u00f3rio. Da\u00ed em diante percebi que o mundo lus\u00f3fono era muito mais vasto do que aquele que os olhos e a imagina\u00e7\u00e3o me permitem conceber&#8221; explica \u00a0Luciano Canhanga escritor angolano\u00a0 em entrevista exclusiva \u00e0 Lusophone Society of Goa (LSG).\u00a0<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>O escritor Luciano Canhanga* de Angola fala-nos sobre os seus livros, sobre a literatura angolana e sobre a Lusofonia. E lembra-se de Goa.Uma entrevista exclusiva conduzida em portugu\u00eas pela Lusophone Society of Goa (LSG).<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Sr. Luciano Canhanga, o Sr. estreou-se na Literatura Angolana em 2010 com o &#8220;Sonho de Kau\u00eda&#8221; e, como jornalista profissional, \u00e9 respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o institucional da maior empresa diamant\u00edfera angolana, a Sociedade Mineira de Catoca. O que significa para si ser jornalista e escritor ao mesmo tempo?<\/strong><\/p>\n<p>Ser jornalista e escritor \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o harmoniosa a que me entrego com prazer, j\u00e1 que o jornalista e o escritor habitam o mesmo corpo.<\/p>\n<p>O jornalismo \u00e9 um sonho de h\u00e1 muito que se materializou com forma\u00e7\u00e3o neste campo. O exerc\u00edcio da assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Institucional em Catoca \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do outro lado da minha forma\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social. \u00c9 uma nova experi\u00eancia prazerosa a qual procuram chegar grande parte dos jornalistas angolanos, depois de muito tempo a trabalhar em not\u00edcias di\u00e1rias ou peri\u00f3dicas. Quanto \u00e0 literatura, \u00e9 apenas um complemento do meu ser. Na verdade, prefiro que me considerem como um &#8220;anotador ou contador de cenas&#8221;, pois estou a entrar na literatura por mero acaso, como extens\u00e3o do jornalismo que nunca deixei de exercitar, pois o jornalismo, para mim, \u00e9 como se fosse um v\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que se considera &#8220;anotador ou contador de cenas&#8221; e n\u00e3o gosta de se denominar escritor?<\/strong><\/p>\n<p>Considero que os escritores, digno desse nome, s\u00e3o aquelas pessoas que se cultivam para o ser. Que escrevem com profissionalismo e que vivem a fazer fic\u00e7\u00e3o. Eu sou um jornalista que, com alguma folga de tempo, vou procurando transcender do jornalismo \u00e0 literatura. Por outro lado, eu n\u00e3o fa\u00e7o uma literatura cl\u00e1ssica. Sou um rep\u00f3rter de viv\u00eancias e que me sirvo da literatura para representar a realidade. Apesar de tenderem para a fic\u00e7\u00e3o, os meus escritos t\u00eam uma vertente vivencial. Se houvesse um meio termo entre o jornalismo e a literatura, a cr\u00f3nica por exemplo, \u00e9 neste g\u00e9nero que melhor me situo. Sou um cronista.<\/p>\n<p><strong>O seu livro\u00a0&#8220;Manongo Nongo&#8221;, lan\u00e7ado em 2012, \u00e9 um conto infanto-juvenil. Qual a raz\u00e3o de se virar para os mais novos?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, tratam-se de v\u00e1rios contos (f\u00e1bulas). Uns j\u00e1 ouvidos na inf\u00e2ncia e recontados com novos cen\u00e1rios e personagens, outros s\u00e3o de minha cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os povos que tiveram um longo per\u00edodo sem o registo escrito faziam a sua Hist\u00f3ria e preservavam a sua cultura atrav\u00e9s da oralidade. Fui influenciado, na minha inf\u00e2ncia, pelas est\u00f3rias e hist\u00f3ria que ouvia contar dos mais velhos. Decidi levar parte desta oralidade para a literatura, como forma de legar aos mais novos as experi\u00eancias e viv\u00eancias que me foram transmitidas na inf\u00e2ncia de forma oral.<\/p>\n<p>Hoje, s\u00e3o poucas as fam\u00edlias que conservam o h\u00e1bito de cantar para embalar uma crian\u00e7a ao sono ou contar uma est\u00f3ria. J\u00e1 que a juventude hodierna n\u00e3o tem registos orais para reproduzir aos seus filhos, os livros podem ajudar a cumprir esta miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como caracteriza actualmente a literatura angolana?<\/strong><\/p>\n<p>O lado criativo est\u00e1 no bom caminho. H\u00e1 maior liberdade de os escritores escreverem e publicarem sem qualquer forma de censura activa ou passiva. Regista-se tamb\u00e9m o surgimento de muitos novos escritores. Apenas h\u00e1 dificuldades em publicar, visto que n\u00e3o h\u00e1 uma grande cultura de leitura e, por este facto, vendem-se poucos livros. Os livros em Angola s\u00e3o tamb\u00e9m relativamente caros, pois n\u00e3o temos uma ind\u00fastria de papel e impendem sobre os livros publicados fora do pa\u00eds elevadas taxas aduaneiras. Isso faz dos escritores aut\u00eanticos mendigos \u00e0 procura de patrocinadores para as suas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Muitas vezes os escritores t\u00eam de suportar os gastos com a edi\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o meu caso.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus escritores angolanos preferidos e porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro livro que li foi &#8220;Vozes na Sanzala&#8221; de Uanhenga Xitu. Gostei do livro, gosto da sua bibliografia e da sua forma de escrever. Tamb\u00e9m admiro a escrita do Ondjaki, um escritor jovem e bastante produtivo, como admiro Jacinto de Lemos, Jofre Rocha, Roderick Nehone, Izaquiel Cori e Ismael Mateus. H\u00e1 mais nomes mas prefiro citar apenas esses. Todos eles t\u00eam uma literatura cativante e tenho-os tamb\u00e9m como contadores de cenas. Uns, como Uanhenga Xitu, que \u00e9 uma figura incontorn\u00e1vel da literatura angolana, demonstram mais preocupa\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado do que com a forma de exposi\u00e7\u00e3o e, \u00e0s vezes, eu sigo-lhe o exemplo.<\/p>\n<p><strong>Acha que vale a pena incutir o esp\u00edrito lus\u00f3fono nos pa\u00edses e regi\u00f5es de l\u00edngua portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>A lusofonia \u00e9 uma cultura. \u00c9 algo existente, independentemente da dispers\u00e3o dos falantes pelo mundo. Goa e Timor n\u00e3o est\u00e3o nem pr\u00f3ximos dos outros pa\u00edses lus\u00f3fonos nem distantes. Estes territ\u00f3rios est\u00e3o a\u00ed onde Deus e a aventura humana quiseram que estivessem, conservando uma cultura e l\u00edngua j\u00e1 seculares. A l\u00edngua estar\u00e1 l\u00e1 para sempre como permanecer\u00e1 em \u00c1frica e na Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 tamb\u00e9m importante ter em conta que a globaliza\u00e7\u00e3o aumenta a di\u00e1spora lus\u00f3fona. Logo, \u00e9 de incutir o esp\u00edrito lus\u00f3fono nos pa\u00edses e regi\u00f5es que se expressam em portugu\u00eas, e tamb\u00e9m noutros que queiram adoptar ou comunicar-se nesta l\u00edngua. \u00c9 o caso da Guin\u00e9 Equatorial que vem reclamando o estatuto de membro efectivo da CPLP (Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa). Quanto \u00e0 quest\u00e3o lingu\u00edstica, sou um expansionista. Venham mais falantes!<\/p>\n<p><strong>Quando ouviu falar primeira vez de Goa e soube onde Goa se localizava?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira vez que ouvi falar de Goa devia estar a frequentar a 4\u00aa Classe e foi durante uma aula de portugu\u00eas em que o assunto era o mundo lus\u00f3fono. Como Goa era um top\u00f3nimo estranho recorri ao atlas para localizar no mapa este territ\u00f3rio. Da\u00ed em diante percebi que o mundo lus\u00f3fono era muito mais vasto do que aquele que os olhos e a imagina\u00e7\u00e3o me permitem conceber.<\/p>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p><em>*O jornalista e escritor angolano Luciano Canhanga, com o pseud\u00f3nimo liter\u00e1rio \u201cSoberano Canhanga\u201d nasceu no Libolo ( prov\u00edncia de Kwanza Sul), Angola em 1977. \u00c9 licenciado em Comunica\u00e7\u00e3o Social, trabalhou na r\u00e1dio Luanda Antena Comercial (LAC) e colaborou em diversas r\u00e1dios e jornais nacionais e estrangeiros. H\u00e1 seis anos \u00e9 o respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o institucional da Sociedade Mineira de Catoca. Escreve desde o princ\u00edpio da d\u00e9cada de noventa, sendo o seu primeiro romance \u201cO Sonho de Ka\u00faia\u201d em 2010, e ainda o livro de contos \u201cManongo-Nongo\u201d (2011) e o \u201cebook\u201d \u201c10 Encantos\u201d, uma colect\u00e2nea de poemas (2012). Vai lan\u00e7ar, no pr\u00f3ximo m\u00eas de Maio, o seu terceiro livro denominado os \u201c10 Encantos\u201d, em livro impresso, um conjunto de poemas que vem escrevendo desde 1993.<\/em><\/p>\n<p><em>Faz parte do restrito grupo de escritores angolanos cuja obra est\u00e1 traduzida em outro idioma. A Revista de Literatura Universal da Rom\u00e9nia \u201cOrizont Literar Contemporan\u201d publicou dois dos seus poemas: &#8220;Regresso Anunciado&#8221; e &#8220;Drama&#8221;.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A primeira vez que ouvi falar de Goa devia estar a frequentar a 4\u00aa Classe e foi durante uma aula de portugu\u00eas em que o assunto era o mundo lus\u00f3fono. 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