{"id":6991,"date":"2026-07-11T18:44:38","date_gmt":"2026-07-11T18:44:38","guid":{"rendered":"https:\/\/lusophonegoa.org\/?p=6991"},"modified":"2026-07-11T18:49:03","modified_gmt":"2026-07-11T18:49:03","slug":"fado-for-a-dream-ended-portugals-world-cup-ends-in-a-familiar-lament","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/2026\/07\/fado-for-a-dream-ended-portugals-world-cup-ends-in-a-familiar-lament\/","title":{"rendered":"Fado de um sonho desfeito: o Mundial termina para Portugal num lamento familiar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-6838\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/alexandre-e1725295770956.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p><em>Por Alexandre Moniz Barbosa<\/em><\/p>\n<p>Como se associa o futebol ao fado? \u00c9 simples: basta ser portugu\u00eas e lamentar o desempenho do pa\u00eds no Mundial de 2026 \u2014 desde o empate na estreia frente \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, jogo que Portugal deveria ter vencido, at\u00e9 \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a derrota diante da rival de sempre, a Espanha. Para os portugueses, aquele empate inicial soube \u00e0 derrota. O portal <em>Portugal Decoded<\/em> intitulou a sua reportagem sobre a partida: <em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o fado trata de sofrimento&#8221;<\/em>, acrescentando: <em>&#8220;Esque\u00e7a o futebol. O sofrimento \u00e9 o verdadeiro desporto nacional&#8230; Mas ainda n\u00e3o acabou.&#8221;<\/em><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, a BBC descreveu Portugal como &#8220;o pa\u00eds europeu que adora ficar triste&#8221; e refor\u00e7ou essa ideia, escrevendo: &#8220;Se perguntar a um portugu\u00eas como ele est\u00e1, a resposta mais entusiasmada que pode esperar \u00e9 &#8216;mais ou menos&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>E como foi o desempenho de Portugal no Mundial? Para o resto do mundo, a resposta poderia ser &#8220;mais ou menos&#8221;, mas, para os portugueses, foi, como um deles me disse, &#8220;uma desilus\u00e3o&#8221;. Talvez mais triste para eles do que para qualquer outra pessoa. A imprensa tamb\u00e9m n\u00e3o foi nada elogiosa. Depois daquele primeiro empate, o <em>P\u00fablico<\/em>, com uma fotografia na primeira p\u00e1gina, escreveu: &#8220;Mau resultado, p\u00e9ssima exibi\u00e7\u00e3o&#8221;, enquanto o <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em> destacou: &#8220;Empate com sabor \u00e0 derrota&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_6994\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6994\" class=\"wp-image-6994\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-1-612x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-1-612x1024.jpeg 612w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-1-179x300.jpeg 179w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-1-768x1285.jpeg 768w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-1.jpeg 846w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-6994\" class=\"wp-caption-text\">Boneco gigante de Cristiano Ronaldo na paisagem do estado indiano de Kerala constru\u00edda pelo Departamento de Turismo<\/p><\/div>\n<p>Mas, como escreveu o <em>Portugal Decoded<\/em>, ainda n\u00e3o estava tudo perdido. Na partida seguinte, Portugal goleou o Uzbequist\u00e3o por 4\u20130, com Cristiano Ronaldo a marcar dois golos. O <em>P\u00fablico<\/em>, novamente com uma fotografia na primeira p\u00e1gina, titulou: &#8220;Portugal afasta depress\u00e3o com goleada e &#8216;bis&#8217; de Ronaldo&#8221;, enquanto o <em>Expresso<\/em> escreveu: &#8220;&#8216;Shiu!&#8217;, gritou Ronaldo no Mundial, onde Portugal mandou calar as cigarras&#8221;. CR7 voltou a fazer aquilo que melhor sabe: marcar golos por Portugal. Mas essa recupera\u00e7\u00e3o duraria pouco.<\/p>\n<p>Quando Portugal perdeu com a Espanha nos oitavos de final, a imprensa foi bastante mais benevolente com a Sele\u00e7\u00e3o \u2014 embora nem toda. Um coment\u00e1rio no <em>P\u00fablico<\/em> dizia: &#8220;Portugal adormeceu na siesta e vai ver o resto do Mundial em casa&#8221;. Talvez uma das refer\u00eancias mais reveladoras tenha surgido na SIC Not\u00edcias, cuja publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais afirmava: &#8220;Desta vez n\u00e3o houve padeira que nos salvasse. Portugal eliminado do Mundial pela Espanha&#8221;. Trata-se, naturalmente, de uma alus\u00e3o a Brites de Almeida, a c\u00e9lebre Padeira de Aljubarrota, que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, matou sete soldados castelhanos na batalha de 1385, vencida por Portugal.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds que ambicionava \u2014 ou talvez dev\u00eassemos agora dizer esperava \u2014 regressar a casa com o trof\u00e9u, o futebol apresentado esteve longe de corresponder \u00e0s expectativas.<\/p>\n<p>Aquele primeiro empate soube \u00e0 derrota e a maior estrela da equipa chegou mesmo a ser apelidada de &#8220;est\u00e1tua&#8221;. A imprensa internacional tamb\u00e9m n\u00e3o poupou cr\u00edticas a Cristiano Ronaldo, que disputou o seu sexto Campeonato do Mundo aos 41 anos. A sua presta\u00e7\u00e3o ficou aqu\u00e9m daquilo a que habituou os adeptos, e houve mesmo quem defendesse que n\u00e3o deveria ser titular. Mas poderia ele come\u00e7ar o jogo no banco?<\/p>\n<p>Se isso acontecesse, o que seria dos seus milh\u00f5es de adeptos espalhados pelo mundo? Um adepto de origem goesa e portuguesa, que viajou para os Estados Unidos e assistiu a dois jogos de Portugal, enviou-me uma mensagem do est\u00e1dio: &#8220;H\u00e1 mais f\u00e3s do Ronaldo do que f\u00e3s de Portugal.&#8221; E havia muito de verdade nessa observa\u00e7\u00e3o. Se Portugal teve apoio neste Mundial, isso deveu-se, em grande medida, \u00e0 legi\u00e3o de admiradores de CR7, que concentrou o seu entusiasmo na sele\u00e7\u00e3o que ele representa.<\/p>\n<div id=\"attachment_6995\" style=\"width: 332px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6995\" class=\"wp-image-6995\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-2-819x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-2-819x1024.jpeg 819w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-2-240x300.jpeg 240w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-2-768x960.jpeg 768w, https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Kerala.Ronaldo-2.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><p id=\"caption-attachment-6995\" class=\"wp-caption-text\">Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar na paisagem do estado indiano de Kerala<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 novidade nisso. H\u00e1 quatro anos, no Catar, a realidade era semelhante. Portugal contava com enormes massas de adeptos gra\u00e7as a Ronaldo, cuja popularidade se estende at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia. Basta olhar para as p\u00e1ginas das redes sociais \u2014 sobretudo as de adeptos do estado de Kerala \u2014 onde abundam fotografias e v\u00eddeos de Ronaldo, com enormes est\u00e1tuas de CR7, algumas mais altas do que edif\u00edcios de tr\u00eas andares, e murais \u00e0 beira da estrada com mais de sessenta metros de comprimento. Uma dessas p\u00e1ginas, a <em>Portugal Family Kerala<\/em>, re\u00fane cerca de trezentos mil membros \u2014 mais de metade da popula\u00e7\u00e3o de Cabo Verde, a antiga col\u00f3nia portuguesa que tamb\u00e9m se destacou neste Mundial.<\/p>\n<p>O Campeonato do Mundo de 2026 terminou para Portugal, mas o pa\u00eds j\u00e1 pode voltar as suas aten\u00e7\u00f5es para 2030, quando organizar\u00e1 a competi\u00e7\u00e3o em conjunto com Espanha e Marrocos. At\u00e9 l\u00e1 ainda faltam quatro anos. Entretanto, Portugal ter\u00e1 de se reorganizar sem a sua maior estrela e esperar que, em 2030, o fado deixe de ser apenas sin\u00f3nimo de sofrimento. Tudo depender\u00e1, naturalmente, de at\u00e9 onde a Sele\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 chegar.<\/p>\n<p>E enquanto as sele\u00e7\u00f5es travam as suas batalhas em campo, para o resto de n\u00f3s em Goa \u2014 que temos deitado tarde e acordado cedo para acompanhar os jogos \u2014 o Mundial nem sempre se mede em pontos, mas em golos. At\u00e9 agora, esses n\u00e3o faltaram. Ningu\u00e9m se pode queixar disso. Mas muitos dos que leem este texto estar\u00e3o, certamente, a lamentar a elimina\u00e7\u00e3o de Portugal ou, quem sabe, a entoar um fado melanc\u00f3lico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-6838\" src=\"https:\/\/lusophonegoa.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/alexandre-e1725295770956.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p><strong>Alexandre Moniz Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>Alexandre Moniz Barbosa \u00e9 jornalista\/escritor\/editor residente em Goa, na \u00cdndia. Foi editor executivo do jornal \u201cO Heraldo\u201d e editor residente do \u201cThe Times of India\u201d e da revista \u201cGoa Today\u201d. Publicou v\u00e1rios livros e foi o vencedor do concurso bienal de contos goeses de 2013. O seu \u00faltimo livro, \u201cColonial Sunset\u201d, tem como pano de fundo a liberta\u00e7\u00e3o de Goa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desculpe, mas este texto esta apenas dispon\u00edvel em English.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6991","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6991","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6991"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6991\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7002,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6991\/revisions\/7002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lusophonegoa.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}